O Programa

Este programa combina a convivência familiar com a frequência escolar. Em todos os países, os estudantes são recebidos por famílias anfitriãs voluntárias que os acolhem como mais um membro do núcleo familiar. Além disso, os estudantes frequentam uma escola secundária, junto com os jovens daquele país. A língua que se fala na escola é a língua nacional do país.

O que está incluído

  • Seleção, orientação e suporte no Brasil.
  • Material de orientação.
  • Seleção de família hospedeira.
  • Seleção de escola e matricula.
  • Assistência nos aeroportos do Brasil e nos de chegada.
  • Encontros de orientação durante o período de intercâmbio.
  • Apoio de voluntários treinados pelo YFU.
  • Assistência psicológica, por profissionais treinados, se necessário.
  • Seguro-saúde.

Depoimentos

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    Para mim, escrever sobre a Alemanha nunca foi fácil; e muitas vezes me peguei me negando a escrever sobre ela. Isso acontece porque foi, para mim, a experiência mais pessoal que já vivi. Foi não apenas um intercâmbio, como uma jornada de autodescobrimento. A Alemanha me mostrou a melhor versão de mim.
    Tenho certeza, porém, que eu não fui a única responsável por isso.
    Fui para a Alemanha em Janeiro de 2017 com o YFU. Me disseram que o voo sairia de São Paulo, e que todos os brasileiros iriam se encontrar no aeroporto de Guarulhos. Sobre este trajeto entre Rio - São Paulo eu não me lembro bem, sei que não sabia o que pensar. Estava feliz, sem preocupações. Minha mãe até hoje diz: "eu não sabia se pensava que você não tinha noção nenhuma do que estava para acontecer, ou se você simplesmente estava extremamente tranquila!".
    As primeiras 3 semanas foram, definitivamente, o melhor jeito possível para uma introdução àquele país. Eu, mais 4 brasileiros, 2 pessoas da Costa Rica, 2 dos Estados Unidos e 1 da Mongólia moramos em Munique durante esse tempo, tendo aula de Alemão (não apenas da língua, mas também da cultura!) todos os dias de 8h às 15h, juntamente com passeios ao redor da cidade. Algo muito curioso foi que, todos os nossos pais anfitriões durante essas 3 semanas, eram amigos há muito tempo, e haviam simplesmente decidido receber estudantes. Ficamos todos muito próximos, sempre livres e com muitas histórias pra compartilhar sobre nós mesmos.
    Fevereiro foi o mês da mudança. Cada um de nós pegou um trem para nossas cidades permanentes. Gosto de pensar que pegamos o trem da mudança, o trem da vida. A partir dali, tudo mudaria. Não teríamos mais uns aos outros fisicamente e, a partir dali, tudo seria um desafio. Sem exceções.
    Fiquei em uma cidade pequena, chamada Naumburg (Saale). Me lembro de descer do trem às 14h30min do dia 11 de fevereiro e procurar pela minha família: duas menininhas, um pai e uma mãe. Não demorou muito, avistei um cartaz amarelo enorme, me desejando boas vindas, e o pai com uma das meninas caminhando em minha direção. O que eu senti ali foi muito rápido, mas muito forte. Queria chorar, mas ao mesmo tempo não quis. Sorri, abracei todos e fomos pra casa. Durante o caminho, lembro de pensar "nossa. Eu vou morar com essas pessoas durante um ano inteiro".
    Ter tido irmãs pequenas durante o meu intercâmbio foi uma delícia. Elas me ensinaram muitas coisas novas, desde palavras comuns a músicas infantis, e muitas vezes iam no meu quarto com a cabeça baixa, relatando algo ruim do dia delas e me abraçando, pedindo para eu colocar uma música que melhorasse o humor delas.
    Eu nunca cogitei trocar de família. Eles são extremamente importantes pra mim até hoje. Não passamos uma semana sem trocar mensagens.
    No meu primeiro mês na casa deles, a minha mãe anunciou que estava grávida. Foi lindo. Acompanhei toda a gravidez dela, herdando roupas que não serviam mais nela, e também dando roupinhas para o meu irmãozinho que nasceu em Setembro.
    Durante o meu intercâmbio, nunca senti saudade de casa. Isso me deixava confusa no início. Eu me sentia egoísta, de certa forma, pois não falava mais com muitas pessoas do Brasil, nem mesmo com a minha família. Isso me deixou confusa por um tempo, como se, de alguma forma, por dentro, eu quisesse sentir saudade. Atualmente, porém, isso não me deixa mais confusa. Agora tudo faz sentido. Eu continuava em casa. Eu saí de uma casa para ir para outra, simplesmente. Saí de um ambiente familiar para ir para outro. Saí de perto de pessoas que eu amo e achei outras que amo da mesma forma, até hoje.
    Ter ido para a Alemanha foi, sem dúvidas, a melhor coisa que eu já fiz. Além de eu ter me conhecido, eu conheci mais do mundo, mais dos outros, mais da vida, mais da maturidade e mais da liberdade. Eu vi o mundo de outra forma, vi meu país de origem com outros olhos. Passei a ver linguagens com outros olhos. Simplesmente tudo mudou. Nada continua sendo o mesmo em relação a mim. Nada.
    Quando voltei, em 2018, tive por muito tempo a sensação de estar vivendo outro intercâmbio, dessa vez dentro de mim. Eu tive que encaixar no Brasil tudo o que eu havia descoberto em mim na Alemanha; era tudo tão diferente. Foi difícil. Me afastei de muitas pessoas.
    A Alemanha sempre ocupará um espaço imenso no meu coração, juntamente com tudo que vivi lá. Tudo o que eu vivi, tudo o que eu aprendi e senti, tudo está guardado aqui. Me sinto mais apta para viver quaisquer aventuras que sejam. Me sinto com mais apetite para a vida.
    Meu pai me conta muitas vezes sobre o intercâmbio que ele fez com o YFU em 1979. Ele visitou sua família anfitriã família em 2003, 2013, 2017 e visitará novamente em 2019. Quero contar para os meus filhos sobre as aventuras que eu vivi assim como o meu pai me conta sobre as dele.
    Obrigada, Alemanha, por me mostrar quem eu sou; e obrigada, YFU, por ter sido o caminho para isso.
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    Raquel Negreiros - Alemanha
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    Meu nome é Mayana e fui intercambista pelo YFU. Fui para Bélgica e tive uma experiência única e maravilhosa. Vivi uma realidade totalmente diferente da minha.
    Morei em uma cidadezinha chamada Roosdaal que ficava a 20 km de Bruxelas. Mas eu escolhi estudar em Halle, que era uma cidade menor do que Bruxelas, porém um pouco mais longe. Eu tinha que pedalar 8km de bicicleta por dia para chegar no meu ponto de ônibus. Engraçado como nada melhor que o tempo para nos adaptarmos. A primeira semana eu fiquei quebrada de tanta “malhação”. Não existiam muitas ladeiras por lá, mas existia uma no meio do meu caminho para chegar ao ponto, a qual eu demorei mais de um mês p/ conseguir subir pedalando. No fim do ano letivo eu havia me tornado, praticamente, uma ciclista profissional.
    Lá eu estudei turismo e amava ir à escola. Tive o apoio de colegas e professores que souberam me acolher muito bem. Fiz bons amigos. Por sinal, uma grande amiga minha de lá acabou de passar as férias comigo aqui no Brasil após ficarmos dois anos sem nos encontrarmos.
    Minha família era maravilhosa e sinto muita saudade de quando nos reuníamos com todos os tios, tias e primos sem esquecer a vovó.
    A batata-frita e waffel são coisas muito gostosas e diretas da Bélgica. Bom, se eu fosse contar tudo que vivi durante meu intercâmbio eu precisaria de várias páginas... quem sabe eu não venha escrever um livro sobre esse país que me inspirou tantas idéias?
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    Mayana - Bélgica Flandres
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    Meu nome é Sabrina e fiz intercâmbio para Dinamarca. Nos primeiros seis meses, morei na cidade de Gorlev, nos outros seis meses morei na cidade de Fensmark. Com certeza posso dizer que essa foi a melhor experiência da minha vida e esse o melhor ano. São tantas lembranças boas, tanto aprendizado. A Dinamarca é um país pequenininho na Escandinávia, muito lindo e frio também, portanto preparem-se para conhecer neve e se divertir muito.
    Mas o ano de intercâmbio não é só divertimento. Sentimos muitas saudades da família, amigos e do Brasil. E é nessas horas que aprendemos o que há de único e bom no Brasil e aprendemos a ver que muita coisa tem que ser mudada também. Minha primeira família era boa, mas não me adaptei. Tivemos problemas e logo o pessoal do YFU me socorreu e me transferiu para uma família maravilhosa. Tenho contato com eles até hoje. Estarão no meu coração para sempre. Minha melhor amiga da Dinamarca é a Mette. Eu era da sala dela, e ela já me visitou no Brasil duas vezes. Uma dica importante para vocês é procurar fazer amizade com o pessoal do país onde estão e não somente com os intercambistas que estão na mesma região, pois a tendência é o grupo de intercambistas se unirem e se isolarem um pouco, e isso não e bom. No meu caso, por exemplo, foi com a Mette que eu realmente conheci a cultura dinamarquesa, e o jeito dinamarquês de ser.
    Mas é isso aí. O ano foi bom para eu aprender a me virar sozinha, a sair debaixo da saia da mãe e criar asas para explorar o mundo. Tenho o maior prazer em compartilhar com vocês o meu maravilhoso ano de intercâmbio e o que isso acrescentou na minha vida. Ai que saudades!!

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    Sabrina Fargan - Dinamarca
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    Numa Terra de Mil Lagos
    Todos já ouvimos falar de sauna, celulares Nokia, Mikä Häkkinen (embora sem a trema no “a”), mas poucos temos informações sobre uma distante terra escandinava, lá de onde vem o Papai Noel.
    A Finlândia está no topo das melhores e mais bem organizadas economias do mundo, é a menos corrupta e muito bem informada, com sua grandiosa produção de jornais. Ouvimos falar do frio, no entanto não imaginamos o quão gostoso pode ser o verão daquele lugar, época em que o solo silvestre colore-se com as mais diversas frutinhas e o sol está no meio do céu quando o relógio marca meia-noite!
    Eu tive a melhor experiência! Fui muito bem acolhida numa família especial: Esko, Liisa, Anu-Tuulia, Anne Maaria, Hanna-Riikka e Jasmin (nossa cachorrinha) estão, hoje, sempre em meus pensamentos e no fundo do meu coração. Sinto saudades do meu quarto, onde os mapas de Minas Gerais e Brasil estão na parede até hoje, da escola, dos amigos (finlandeses e outros intercambistas), das nossas casas de verão e de inverno nos lugares mais lindos... Saudades da comida da vovó, de praticar snowboard, de Karjalan piirakka (uma tortinha de arroz, hum!) e de dar palestras sobre o Brasil...
    Certamente são muitas as coisas das quais sinto saudades e nas quais senti diferença. Na escola de Ensino Médio, ou LUKIO, os próprios alunos fazem o seu currículo, baseado nas áreas de maior interesse e nas que serão cobradas no teste final, dependendo da profissão desejada. Tínhamos opções de línguas, artes, música. A Educação Física era a melhor imaginada: aulas de tiro, visitas ao boliche, patinação, snowboard e ski no inverno. Na época dos “Dias Antigos” (um baile dançado por todos os alunos do segundo ano do país – linda e divertida tradição), muito ensaio.
    O mais mágico da Finlândia é o natal. Os “pikku joulu”, ou “pequenos natais”, acontecem desde novembro, uma vez que o costume é comemorar com os colegas de trabalho, com os amigos, na escola, com as famílias e, então, nos dias 24 e 25, ficamos em casa com pais e irmãos. O ritual começa quando enfeitamos a árvore, na manhã do dia 24. Então comemos um mingau de arroz e quem fica com a única castanha que é nele colocada, tem sorte. Horas depois, após outros preparativos (eu fiquei brincando na neve), comemos queijo, tomamos vinho e vamos pra sauna, as meninas separadas dos meninos. Nesse dia, me aventurei a pular na neve e voltar correndo pra sauna – é uma sensação inexplicável! À noite, o jantar. Delícia! Os presentes (muitos e muito bons, pois o Natal é bem mais significante do que o aniversário) são distribuídos e vamos dormir... Na manhã seguinte, saímos cedo para a Igreja Luterana e passamos o resto do dia dormindo, curtindo os presentes, brincando, enfim, aproveitamos a presença um do outro... Uma sensação muito boa.
    Ao final da minha história encantada, o mais curioso foi que convenci minha melhor amiga de lá a vir passar um ano no nosso Brasil, na minha casa, o que foi outra experiência maravilhosa, outra história... Karoliina, minha amiga-irmã, partiu de volta em julho e, no final do mesmo mês, Saaraliisa chegou – mais um pedacinho da Finlândia perto de mim, embora não na minha casa, mas no meu coração!
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    Lis Silvério - Finlândia
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    Meu intercâmbio foi a melhor escolha que eu poderia ter feito na adolescência. Me fez crescer muito mentalmente, passei por muita coisa sozinha que uma adolescente normal não passaria e isso me fez crescer demais. Conheci pessoas que vou levar pra vida toda, tenho uma segunda família que só de imaginar ir embora dói o coração.
    A escola foi muito diferente e exaustiva no começo, mas depois que você pega amor pela coisa (ainda mais que brasileiro é amado em qualquer lugar do mundo) tudo fica leve e divertido.
    Uma frase que meu host father sempre me fala é "sua felicidade só depende de você, você escolhe estar feliz ou estar no quarto sozinha" isso me fez abrir os olhos e perceber que ficar triste não era uma opção nesse pouco tempo de 12 meses que eu tinha e fui atrás da minha própria felicidade, e hoje vou levar na mala os amores de pessoas que encontrei pelo o caminho, mesmo que a gente tenha trocado apenas sorrisos e dito "bom dia".
    Você que quer uma dica para o seu intercâmbio é entender desde o comecinho e intercâmbio não é só diversão e curtição, tem estudar e se esforçar também. O intercâmbio mais que nunca será uma montanha-russa com seus altos e baixos e você decidirá em persistir e chorar por estar indo embora ou desistir e chorar por não ter ficado mais.
    Uma coisa que também repito sempre é para não me comparar com os outros intercambistas, cada um tem seu jeitinho, cada família um costume, uma cultura, uma situação diferente. Nem tudo é um mar de rosas, mas esse foi o mar mais lindo que já mergulhei.
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    Radhija Feliciano - África do Sul 2019